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RESENHA CRÍTICA DO LIVRO “‘O URUBU QUE LOGO SOMOS’ CRÔNICAS E MEMÓRIAS DE UM DEVIR FLAMENGO”, DE FABIO ZOBOLI


 “O URUBU QUE LOGO SOMOS”: Crônicas e memórias de um devir Flamengo

Alison Conceição dos Santos
Darwin de Oliveira Martins
Marcelo Victor Santos Souza
Thomas Wiliams Santos Nascimento

ZOBOLI, Fabio. “O urubu que logo somos”: Crônicas e memórias de um devir Flamengo. São Paulo: Ludopédio, 2025. 333p. Coleção campo de jogo. ISBN: 978-65-84540-17-0


Fonte: GE.com

A obra “Urubu que logo somos: crônicas e memórias de um devir Flamengo” foi escrita pelo Professor Dr. Fábio Zoboli da Universidade Federal de Sergipe – UFS. Em sua trajetória acadêmica, Zoboli fez doutorado em Educação na Universidade Federal da Bahia – UFBA, fez também Pós-doutorado em Educação na Universidade Nacional de La Plata – UNLP (Argentina), atualmente é professor no Departamento de Educação Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação na UFS, além de ser membro/coordenador do grupo de pesquisa “Corpolitica”. 
O livro é uma coletânea que reúne uma série de crônicas que abordam o Clube de Regatas do Flamengo – CRF, clube do “coração” do autor, e mais especificamente ainda, sobre o time de futebol e suas várias dimensões. Nele, constam crônicas sobre fatos marcantes do clube, assim como há um conjunto de crônicas que tratam de personagens ligados a esse universo – principalmente jogadores de futebol – que vestiram a camisa do clube. Zoboli vai estabelecer paralelos entre esses elementos com figuras religiosas (de matriz africana e cristã) e também sobre personagens das mitologias greco-romanas e com as artes plásticas. Vale destacar também que o autor elabora uma crônica para homenagear o seu tio que o ensinou a torcer para o Flamengo.
A seção “Como tudo começou” possui duas crônicas e nelas conta-se para o(a) leitor(a) como se deu o primeiro contato do autor com aquilo que se tornaria uma das suas maiores paixões, o Clube de Regatas do Flamengo, como seu tio Osvaldo foi importante para que isso ocorresse e como eles viveram momentos importantes juntos comemorando vitórias do Flamengo. Ainda, como o Flamengo foi criado por Deus, relacionando como se deu a criação do mundo com a criação do Flamengo por Deus, passando por seu surgimento no remo e sua entrada para o futebol após um acontecimento em que pessoas do Fluminense decidiram sair do clube e se juntar ao Flamengo, passando pelos símbolos do clube, pela torcida e sua paixão, até a criação dos demais clubes e dos campeonatos para que houvesse disputas. 

Fonte: Site Terra

Na seção “O urubu que logo sou... que logo somos” os autores participantes da coletânea trabalham com 6 (seis) crônicas que abordam questões de simbolismo, amor e grandeza do Flamengo, mostrando-nos como alguns símbolos do clube surgiram, que alguns deles são utilizados pelas torcidas adversárias de forma preconceituosa para menosprezar o torcedor e o clube, e para isso são utilizadas ligações entre os símbolos, os acontecimentos com músicas, pessoas importantes e questões de pluralidade e singularidade.

Já na seção “O panteão” os autores Fabio Zoboli e Elder Silva Correia constroem uma série de crônicas que elevam os jogadores do histórico time do Flamengo de 1981 ao estatuto de entidades míticas. A proposta dos textos consiste em articular futebol, mitologia e cultura popular, utilizando referências da mitologia grega, da cosmologia iorubá e do folclore brasileiro como metáforas interpretativas das características técnicas e da importância histórica dos atletas.

O argumento central desenvolvido pelos autores é que o futebol, assim como as narrativas míticas das sociedades antigas, produz seus próprios deuses e heróis. Nesse sentido, o campo de jogo é compreendido como um espaço simbólico e ritualístico, no qual feitos esportivos assumem contornos sobre-humanos e passam a integrar o imaginário coletivo da torcida. Essa abordagem confere ao futebol uma dimensão cultural que extrapola o entretenimento, aproximando-o de manifestações religiosas e mitológicas.

Ao longo da seção supracitada, os autores dedicam crônicas específicas a cada jogador, estabelecendo associações simbólicas que buscam traduzir suas funções em campo. Mozer, por exemplo, é comparado a Argos Panoptes, gigante da mitologia grega dotado de cem olhos, metáfora que enfatiza sua vigilância constante na defesa, atuando como guardião do gol. Júnior, por sua vez, é associado a Exu, orixá mensageiro da mitologia iorubá, responsável por abrir caminhos e estabelecer conexões, analogia que evidencia sua capacidade de articular defesa e ataque com inteligência e ambidestria.

Andrade é relacionado a Hefesto, o deus ferreiro, sendo descrito como um “jogador metalúrgico” pela força física na marcação, mas também como um “ourives” pela precisão e qualidade técnica de seus passes. Já a trajetória de Tita é interpretada à luz da tragédia de Édipo, destacando o drama simbólico de enfrentar o clube rival, retornar ao Flamengo e lidar com seu próprio destino esportivo.

Outras associações reforçam a diversidade cultural da análise. Adílio é comparado a Xangô, orixá da justiça e do fogo, ressaltando sua ancestralidade e realeza em campo, enquanto Nunes, o “João Danado”, é associado a Eros, deus do amor, cujos gols são descritos como flechadas passionais que inflamam a torcida. Zico, maior ídolo do clube, é vinculado à figura do alfaiate, profissão de seu pai, sendo apresentado como o artífice que “costura” as jogadas com precisão e harmonia.

Além disso, Lico é associado ao Boto-cor-de-rosa, figura do folclore amazônico, destacando sua habilidade de seduzir e surpreender os adversários. Cantareli é comparado a mágicos ilusionistas, como Houdini, em razão de suas defesas espetaculares, enquanto Carpegiani, técnico da equipe, é relacionado ao Saci-Pererê, símbolo da astúcia e da travessura, responsável por armar estratégias e confundir os oponentes.

A seção se encerra com um paralelo simbólico entre os três títulos conquistados pelo Flamengo em 21 dias no ano de 1981, Campeonato Carioca, Copa Libertadores da América e Mundial Interclubes, e os três santos juninos: Santo Antônio, São João e São Pedro. Essa analogia reforça a ideia de que aquele período representou um momento de “milagre” esportivo, no qual o sagrado e o profano se entrelaçam para consolidar a geração mais vitoriosa da história do clube.

Em outra seção, intitulada “Coloca na moldura”, Zoboli brinca com as mais diversas mitologias (da mitologia grega até a mitologia nordestina) e com as artes plásticas para falar sobre personagens que, para o autor, e também para toda a nação rubro-negra, são considerados importantes ou que marcaram época vestindo a camisa do Flamengo. Um ponto a ser observado é a última crônica da referida seção, pois esta não se refere somente a um personagem, muito menos estabelece alguma relação com seres mitológicos ou com algum componente da arte. Nessa crônica, abre-se espaço para falar sobre o sentido que o futebol dá aos jogadores com apelidos que são remetidos a animais, principalmente no Flamengo, e a ressignificação que esses sentidos sofrem ao serem deslocados para o contexto do futebol.

Além disso, o título da obra funciona como uma metáfora que ajuda a entender o sentido das crônicas. Ele sugere uma reflexão sobre a condição humana, marcada pela adaptação às regras sociais e pela repetição de comportamentos. Ao longo da seção, Zoboli e o conjunto de autores e autoras colaboradores(as) da coletânea levam o(a) leitor(a) a pensar sobre ações que são consideradas normais, mas que merecem ser questionadas.

Em “Chutando de canhota”, o autor se propõe a falar não somente de jogadores de futebol que passaram pelo Flamengo, mas também de atletas de outras modalidades esportivas que estão presentes no clube (como, por exemplo, o remo e o vôlei). Entretanto, diferente das outras seções, aqui, em específico, Zoboli traz uma homenagem a personagens que lutaram por ideais políticos de gênero, raça e liberdade em uma época em que a sociedade brasileira vivia em censura devido à ditadura vigente no país.

Cabe aqui uma menção honrosa dessa seção à crônica destinada à tragédia que aconteceu no “Ninho do Urubu” – o Centro de Treinamento do Flamengo – “Os 10 meninos do Ninho, ou sobre Pinóquios e Come-Fogos”. Nesta crônica, o autor vai prestar uma homenagem aos 10 garotos que faleceram no incêndio do Ninho do Urubu, relacionando com a história original de Pinóquio, traçando comparações sobre infância, sonhos, atuação de gestores e sobre negócios no futebol.

Por fim, a obra organizada por Fábio Zoboli e colaboradores(as) é um deleite para quem é flamenguista (torcedor do Flamengo), mas também é uma ótima recomendação de leitura para quem não tem relação com este clube e gosta de futebol, pois o autor apresenta histórias e personagens marcantes do CRF e que permite, por meio dessa leitura, entender ou compreender o tamanho e a representatividade que este time carrega na cultura brasileira.



As juventudes: como e por que pensar sobre elas?

 


Juventudes é uma expressão que significa jovialidade ou novidade de vida. Muitas pessoas são saudosistas de sua juventude em razão das experiências que foram intensas, relacionadas com mudanças físicas e comportamentais, emocionais e psicológicas. É comum escutarmos que tudo tem relação com os hormônios. No espaço escolar, parei de escutar essa justificativa que era acionada com frequência. Um bom sinal, significando que, ao retirar de pauta uma resposta pronta, outras questões ocupam seu lugar, demandando maior atenção e sensibilidade dos familiares e profissionais. No dia 12 de agosto, foi comemorado o Dia Internacional da Juventude, no entanto, ainda precisamos perguntar: O que é juventude?


Um momento de transição entre a infância e a vida adulta, que se caracteriza como um conceito social, pois para alguns é uma questão biológica ligada à área da saúde a partir das mudanças na corporalidade, para outros é uma questão emocional e comportamental. O básico é relacionar com uma faixa etária específica que pode variar dependendo do contexto a ser aplicado, recorte que estará vinculado ao trabalho, educação e ao direito civil. Na ordem jurídica, a maioridade começa aos 18 anos. A Lei 8.069/1990, conhecida como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ampara essa orientação. A Lei do Jovem Aprendiz (Lei 10.097/2000) considera a definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que estabelece a idade a partir dos 14 até 24 anos. Mais recentemente, o Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) define juventude entre 15 e 29 anos. Independente do recorte etário, a juventude é apresentada como uma categoria social, que representa uma cultura que, para alguns, está atrelada à descoberta do novo, à irresponsabilidade, à rebeldia e a uma capacidade de correr riscos. É necessário destacar que essa é somente uma parte do que pode ser falado sobre juventude. A realidade de inúmeros jovens, embora as transformações físicas e a faixa etária, é muito distinta ao ponto de as leis citadas serem consideradas marcos importantes para garantia de direitos que visam protegê-las das explorações, abusos e violências praticadas pelo mundo adulto.

CONTINUAR LENDO EM: https://pensaraeducacao.com.br/as-juventudes-como-e-por-que-pensar-sobre-elas/

Os Trombadinhas a partir de Guerreiro Ramos

 


III Seminário de Extensão Pensadores Sociais e o Esporte no Cinema UFS. - Aracaju-SE.

O filme “Os trombadinhas” e o pensador social Guerreiro Ramos.


Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bhq2EoO2mBo



SC aprova projeto que acaba com cotas raciais em universidades estaduais





Programa ND Notícias

SC aprova projeto que acaba com cotas raciais em universidades estaduais.

Deputados estaduais de Santa Catarina aprovaram recentemente um projeto de lei que elimina as cotas raciais nas universidades e instituições de ensino que recebem recursos do governo do estado. A decisão gera repercussão e amplia o debate sobre inclusão, equidade e acesso ao ensino superior.

Disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=3bSuqmo10bc