Alô, alô Marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
(Elis Regina)
A Copa do Mundo de Futebol masculino em 2026 deve ser reconhecida como a “Copa da Trombeta”, isto é, um estrondo. Trocadilho esse com base no significado da palavra e sobrenome do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump.
Um homem de negócios, que – mesmo condenado criminalmente por ocultar pagamentos à atriz pornô Stormy Daniels em 2024, pouco antes de ser “premiado” com seu segundo mandato –, com base na ética empresarial, assume o governo pela segunda vez de uma nação imperialista e que observa sua influência hegemônica perder força enquanto ela se desloca para o oriente distante, a China.
Nosso destaque à trombeta tem relação direta com as ações políticas e a visão ideológica adotada por Trump em suposta defesa do seu país. Os discursos sobre a política migratória, restrição de vistos para viagens no território estadunidense, taxação de mercadorias produzidas em outros países, saída de acordos internacionais que envolvem a garantia de direitos humanos e ao meio ambiente, ataque a instituições democráticas nacionais e o apoio e estímulo à invasão de territórios de outros países em discurso e com ações militares passaram a ser normalizados pela comunidade global. Isso tudo ao lado de um cenário interno tensionado com o choque do resultado econômico que impacta a população e os valores ideológicos, colocando em xeque a moral liberal e progressista presente no documento de independência do país de 1776.
A antiga frase que indica o “sonho americano [estadunidense]” foi substituída pela expressão “Faça a América Grande Novamente” – MAGA: Make America Great Again. O sentido observado nas duas é muito diferente e mostra o momento atual de uma nação que deixa de ser referência (política, econômica, militar, científica, cultural) e procura desesperadamente manter seu lugar de privilégio, à base da força, da chantagem e de produção de mentiras e conflitos diplomáticos constantes. A trombeta do fracasso carrega a realidade de guerras e conflitos transnacionais e geopolíticos que contradizem os ideais de confraternização que um megaevento como a Copa do Mundo de Futebol masculino permite, e cujo país recepcionará atletas, delegações, torcedores(as) e a imprensa mundial.
Você, leitor e leitora, que chegou até aqui, deve estar se perguntando: mas o que isso tem a ver com futebol e com a Copa de 2026? A questão que nos inquieta é o fato de a trombeta soar como trunfo ou triunfo, significando a exaltação do esporte (neste caso em específico, a modalidade do futebol masculino), seu uso como propaganda, entretenimento e celebração.
Mezzaroba, Mendes e Pires (2010) discutiram sobre o tema dos grandes eventos esportivos – como as Copas do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos – articulando a dimensão midiática e as representações compartilhadas na sociedade e na Educação Física. Uma dessas representações (senso comum) que aparecem nesses momentos é o discurso de que os jogos impactam quanto à “unificação dos povos”.
CONTINUAR LENDO EM:

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gratidão pelo comentário.