O futebol é, de longe e há muito tempo, o esporte mais popular do mundo. A Copa que acontece agora nos EUA, no México e no Canadá é só o maior e mais novo exemplo disso. Mas se hoje o esporte em seu nível mais alto é uma profusão de cores, raças e nacionalidades, nem sempre foi assim. O futebol brasileiro se estruturou nos seus primórdios num ambiente institucionalmente racista. Hoje funciona como uma oportunidade permanente para a sociedade reconfigurar sua relação com a questão racial. Mas nem sempre essa oportunidade é aproveitada.
O futebol nos moldes que conhecemos hoje é uma modalidade esportiva que surge no século XIX, período vitoriano no Império Britânico. Sua disseminação acontece como um veículo ideológico projetado para propagar a imagem do sportsman, isto é, apregoar os valores de uma sociedade colonizadora e que tem na negação do ócio o seu projeto civilizatório.
Ao destacar que o futebol surge em território inglês, é preciso identificar a classe mais abastada, a elite, como responsável pela sua apropriação e ressignificação como modelo de lazer e formação para o trabalho e os novos empreendimentos.
As public schools eram locais em que os filhos da elite aprendiam e desenvolviam a modalidade. A partir dessa realidade, a modalidade desembarca em diversos países.
História do futebol no país das chuteiras
No Brasil, o mito de origem para a chegada da modalidade está relacionado a Charles Miller, herdeiro de uma família rica que vai estudar na Europa e, quando retorna ao país, volta com uma bola, um par de chuteiras e o livro de regras do esporte.
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