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A dimensão midiática, o fenômeno das torcidas e a problemática do racismo | Futebol no século XXI

 


Mesa “A dimensão midiática, o fenômeno das torcidas e a problemática do racismo: permanências e transformações entre as Copas do Mundo de Futebol no século XXI”, integrante do II Encontro INCT Estudos do Futebol Brasileiro e IV Futebol nas Gerais.

A atividade integra a linha Mídias, torcidas e movimentos antirracistas no futebol e propõe reflexões sobre as transformações da dimensão midiática do futebol, as dinâmicas das torcidas e os enfrentamentos ao racismo no contexto futebolístico brasileiro.

🎙️ Palestrantes:

José Carlos Marques — UNESP-Bauru

Irlan Simões — PPGCOM/UERJ, ge.globo, Redação Sportv

Daniel Machado da Conceição — SED-SC / INCT Estudos do Futebol

Coordenação:

Ana Carolina Vimieiro — UFMG

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5jjgi4C5awg&t=5534s





O FILME “OS TROMBADINHAS” E O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO DO GUERREIRO RAMOS



Quero agradecer o convite para participar desse evento, uma bela oportunidade para aprender mais e realizar uma ótima troca com os membros do INCT Futebol e todos que aqui estão interessados na temática do futebol e dos pensadores sociais.

Estendendo o agradecimento à coordenação do INCT Futebol, também reconheço os professores Cristiano Mezzaroba e Hamilcar Silveira Dantas Junior pela organização. Agradeço à Universidade Federal de Sergipe, ao CNPq/CAPES. É uma alegria estar nessa mesa com um belo parceiro, prof. Antonio Jorge Soares. Assim como reconheço os colegas coordenadores de linhas que aqui estão.

Minha proposta é dividir a fala em três partes: a primeira, apresentando breves informações sobre o filme; na segunda, um panorama a partir da observação pessoal; e, na terceira, a conversa envolve um fragmento da obra do sociólogo Guerreiro Ramos, permitindo interpretar e debater algumas temáticas que aparecem no longa-metragem Os trombadinhas de 1979.

O esforço nesta tarde será discutir o pensamento do sociólogo Guerreiro Ramos (1915–1982). Aviso que será um fragmento, um recorte da obra. Como pesquisador, eu, Daniel, estou em busca de uma maior e melhor apropriação desse pensador. No entanto, mesmo ao fazer uma discussão ampliada, a perspectiva e a refinada análise da realidade social proposta por Guerreiro Ramos podem ser aplicadas em uma possível interpretação do Brasil no final da década de 70, a partir do filme Os trombadinhas (1979) com direção do Anselmo Duarte. Farei um recorte sobre juventude e questões raciais, apontando aquilo que o pensador chamou de “problema do negro” ou “negro tema”, isto é, a maneira estereotipada de como o negro é representado na sociedade brasileira. A proposta do sociólogo é apresentar a perspectiva dos estudos sobre o “negro vida”. Acrescento ainda o desafio de ser vigilante para não cair em um anacronismo, encurtando a linha do tempo que separa o pensamento e a realidade social vivenciada por Guerreiro Ramos em relação ao tempo presente.

Disponível em: https://novosdebates.abant.org.br/revista/index.php/novosdebates/article/view/561 

Quem pode participar da festa? Racismo, futebol e a Copa do Mundo FIFA/2026

 


A Copa do Mundo de Futebol Masculino da Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA) 2026 tem sido anunciada como uma celebração global da diversidade, da integração entre os povos e dos valores historicamente atribuídos ao esporte. Entretanto, os acontecimentos que envolvem a preparação do evento (e principalmente em suas semanas iniciais) revelam um cenário marcado por contradições. Ao mesmo tempo em que o futebol se apresenta como elemento compotente linguagem universal capaz de aproximar culturas distintas, emergem notícias relacionadas ao endurecimento de políticas migratórias, restrições de circulação a cidadãos de determinados países e discursos de exclusão que colocam em dúvida o caráter verdadeiramente inclusivo do megaevento esportivo. 

Essas tensões ganham maior relevância quando observadas à luz das relações étnico-raciais, principalmente porque uma Copa do Mundo de Futebol é uma grande vitrine para muitas problemáticas do tempo presente. Dentre as várias questões que vão aparecendo nesses períodos, como conflitos geopolíticos, tensões econômicas ou mesmo relacionadas às novas tecnologias no esporte dentro e fora do gramado, temos o racismo ganhando evidência. 

O racismo não pode ser compreendido como um conjunto de episódios isolados ou referente a desvios individuais, mas como um fenômeno histórico e estrutural (Almeida, 2019), além de uma prática cotidiana (Conceição, 2023), que organiza oportunidades, privilégios, direitos, exclusões e formas de pertencimento social. Nesse contexto, as restrições impostas à circulação de determinados grupos e nacionalidades não podem ser dissociadas das hierarquias raciais construídas historicamente pelo colonialismo e reproduzidas nas dinâmicas contemporâneas do poder global. 

Quando pensamos especialmente na modalidade futebol, temos um campo de observação muito rico em relação às práticas de discriminação étnico-racial, justamente porque com tamanha visibilidade - as Copas do Mundo de Futebol masculino atingem a marca dos bilhões de telespectadores em todo o mundo - os protagonistas dentro das “quatro linhas” (e das múltiplas telas) são atletas negros, com seus nomes tornando-se “marcas” (vide Kylian Mbappé, Sadio Mané, Lamine Yamal, Vinícius Júnior, Neymar, Endrick etc.) e suas atuações dignas de ídolos esportivos.  

Ao observarmos a atual seleção brasileira tendo como técnico o italiano Carlo Ancelotti, identificamos que o elenco tem maioria de atletas negros (Ramos, 2026), assim como, em relação à seleção francesa, dos 26 convocados, 18 são homens negros (Benício, 2026).  

Também temos visto muitos jogadores passarem por processos de naturalização, como os brasileiros Jorginho (Itália), Diego Costa (Espanha) e, na atual Copa, o jogador Maurício, que atua pela seleção do Paraguai. Outro processo que se intensificou nas últimas décadas é a migração de pessoas africanas e asiáticas para o Velho Continente em busca de proteção (segurança) ou novas oportunidades. Um contingente populacional que traz ou gera filhos e filhas que passaram a compor as categorias de base dos clubes europeus e seu destaque os leva à seleção nacional. Outro movimento consolidado no mercado da bola é a “contratação” de jovens promessas de futebolistas de sucesso agenciados ainda na infância ou adolescência, construindo seu itinerário formativo na base dos clubes e, posteriormente, com o tempo vivido no país e interesse pessoal (em razão da dupla cidadania), são naturalizados para jogar na seleção local onde vivem.  Com isso, equipes que outrora eram completamente formadas por homens brancos, como França, Bélgica, Inglaterra e Países Baixos, hoje possuem atletas pardos ou negros, aumentando ainda mais a quantidade e a visibilidade de jogadores não brancos no espetáculo do futebol mundial que se realiza a cada quatro anos.  

DISPONÍVEL EM: https://periodicos.ufsc.br/index.php/motrivivencia/article/view/114404


DOSSIÊ - APRESENTAÇÃO - Estudos Socioculturais sobre o Futebol



ORGANIZADORES:

Fábio Machado Pinto

Luiz Carlos Rigo

Regis Fernando Freitas da Silva

Liber Benítez

Daniel Machado da Conceição


Este dossiê foi planejado para acompanhar mais uma edição da Copa do Mundo de Futebol da FIFA, popularmente conhecida como Mundial, evento que mobiliza a atenção dos cinco continentes e é assistido e prestigiado em todo o mundo, momento em que a comunidade científica se debruça sobre o impacto social, político e econômico desse fenômeno. O futebol, no campo científico e acadêmico, vem ocupando um lugar de destaque como um “fato social total” que nos permite estudar e compreender aspectos intrincados da sociedade e da cultura, articulando uma diversidade de países em todos os continentes.

DISPONÍVEL EM: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/NORUS/article/view/31976